PELO EXEMPLO E PELA PALAVRA Imprimir

No início de minha vida maçônica questionei as razões de termos recebido a luz, dos motivos que nos levaram a tornarmos maçons. Porque fomos escolhidos para participar de tão antiga organização, tão sublime e singular?

Loja Aparicio Mariense

No início de minha vida maçônica questionei as razões de termos recebido a luz, dos motivos que nos levaram a tornarmos maçons. Porque fomos escolhidos para participar de tão antiga organização, tão sublime e singular? No início cheguei a pensar que somos iniciados porque simplesmente nos destacamos na sociedade, simples assim. Porém, minha evolução nos estudos e instruções maçônicas demonstrou que não chegamos aqui tão somente por mero destaque social, financeiro ou intelectual. Na verdade, estamos aqui porque nossas atitudes profanas demonstraram termos coragem de contribuir para uma sociedade mais justa, mesmo sem o avental. Temos o perfil maçônico porque somos dignos de combater o despotismo, a ignorância e os erros. Somos pessoas livres e de bons costumes que efetivamente podem produzir frutos positivos na humanidade, pelo exemplo e pela palavra, mesmo antes de sermos iniciados. Então porque a maçonaria, tão virtuosa na escolha de seus integrantes, parece ter encolhido sua doutrina sobre os problemas atuais brasileiros? Porque a instituição está passiva diante de tanta desordem, corrupção e malversação de nosso país? Não estou aqui falando de maçons, mas da instituição como um todo. Nas últimas sessões, por exemplo, os desmandos governamentais, os abusos e desvios dos poderes brasileiros estão sendo discutidos por nossa loja. E sempre fica a pergunta: o quê e como fazer para combater as agruras de nossa sociedade? Após o questionamento sempre me vem à mente a Moção Plebicitária de autoria maçônica genuinamente são-borjense. Naquele documento a maçonaria se manifestou como instituição, gerou um movimento republicano imparável, que culminou com alteração da conjuntura da época. Porque a Moção Publicitária surtiu o efeito desejado e as iniciativas atuais não atingem seus objetivos? Porque a maçonaria naquela oportunidade conseguiu resposta da sociedade em momento tão importante? A resposta é óbvia: não temos mais a influência de outrora. Seja porque a instituição retraiu sua contundência nas questões relevantes, seja pelo descrédito gerado pelos exemplos de maus maçons, o fato é que nossa palavra não toca mais a sociedade como deveria. Não somos mais o exemplo de antigamente. Esta é a dura realidade. E, para mudarmos isto, temos que mudar nossa postura institucional atual. Precisamos sim nos posicionar uniformemente, mesmo que isto traga descontentes dentro de nossa Ordem. E daí? Todos os bons maçons lutam pelo mesmo ideal, ou não? Nesta hora todo verdadeiro maçom deve lembrar a frase de Martin Luther King: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética, mas sim o silêncio dos bons.” É preciso ser salientado que não estamos combatendo partidos políticos, mas atos nocivos de gestão governamental. A carta da Loja Maçônica Acácia das Neves n. 22, do Oriente de São Joaquim (SC) traduziu em palavras a forma de debate que devemos levantar no país. O debate idealista-partidário é interesse dos malfeitores deste pais, já que levantam diretrizes legítimas, encontradas em todos os estatutos partidários, sombreando a análise direta do governo e governante. Temos que combater Collor´s, Maluf´s, Lula´s, Lupi´s e Dilma´s e seus atos ilícitos de governos. Por falar nisto, temos que ter contundência em nossos discursos sim, como o texto produzido pelos irmãos de Santa Catarina, o qual todo e qualquer bom maçom comunga. Pela situação atual, discursos de pouca intensidade ou moderados não alcançariam seus objetivos. Ainda, temos que cortar na própria carne as origens de nosso descrédito. Temos que ser o exemplo, para que nossa palavra volte a ser ouvida como deveria. A ordem não pode mais tolerar atos de maçons que ferem de morte os mais basilares princípios maçônicos. Tal necessidade me leva a pensar em uma frase que li recentemente: A palavra convence e o exemplo arrasta multidões. Nossa ordem precisa despertar novamente. Elevar seus ideais a tal ponto que a divulgação de sua doutrina seja símbolo de mudança da atual situação brasileira, para que não tenhamos mais que viver apenas de glórias do passado. E o início disto passa pelo reconhecimento da população brasileira de que nossos exemplos e nossas palavras significam, indiscutivelmente, a moral e os bons costumes.

 

 

GIOVANI MARTINS CASSAFUZ – M.’. M.’.